
Brasilia - 20 - Na primeira viagem internacional como presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner demonstrou prioridade para as relações com o Brasil e à renovação do fôlego do Mercosul. Ela e o presidente Luis Inácio Lula da Silva anunciaram nesta segunda-feira (19) a intenção de criar uma comissão bilateral permanente com encontro duas vezes por ano para discutir os temas e aprofundar a relação entre Argentina e Brasil. "A comissão bilateral terá integrantes dos dois governos e será presidida pelo presidente", disse Cristina Kirchner após um encontro de duas horas com Lula. A metodologia (dos encontros) não será vincular o debate a um ministério, mas a temas. Porque alguns temas precisam de mais áreas e precisam de um funcionamento mais ágil", explicou a presidente eleita. O primeiro encontro está previsto para ocorrer em fevereiro do ano que vem, em Buenos Ayres. A futura presidente Argentina afirmou que a decisão de criar uma comissão com reuniões periódicas de cúpula é uma demonstração de que os dois governos querem resultados na relação bilateral. "Precisamos fixar metas e prazos para alcançar esses objetivos. Não é apenas um exercício, do que chamamos na Argentina, de 'reunionismo', mas resultados concretos. É preciso que a reintegração avance com resultados que possam ser quatificados, exibidos e percebidos pela sociedade", afirmou Cristina Kirchner. A visita da presidente eleita teve dois momentos. No primeiro, um encontro só com o presidente Lula de cerca de uma hora. No segundo, uma reunião ampliada com representantes dos dois governos para mapear áras potenciais de investimentos dos dois países. Segundo relato, não houve detalhamento de propostas. O tema energético predominou e discutiu-se o projeto binacionalde construção da hidrelétrica de Guarabí, no rio Uruguay. Essa parceria, segundo o assessor internacional da Presidência, Marco Aurélio Garcia, será prioritária no encontro bilateral de fevereiro. Na parte econômica, discutiu-se a possibilidade de aumentar o financiamento a longo prazo para empresas argentinas. A presidente eleita resumiu o encontro desta forma: "Foi uma reunião frutífera em que foi passado os termos da nossa relação com a decisão de aprofundar a associação estratégica entre Argentina e Brasil com a convicção de fortalecer o bloco regional com a compreensão de que o mundo vai ter mais blocos e portanto a associação é fundamental". Cristina assume a presidência, substituindo o marido Néstor Kirchner, em 10 de dezembro.

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