terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Lagoa Seca que eu viví



Natal - Rs - 11 dez - Lagoa Seca cresceu do mesmo jeito que a cidade do Natal.Devagar. Nos anos de 1940, alí podia se vê. Era uma casa aqui, outra acolá. E assim, prosseguiu o bairro, muito lento. Quando chegou o bonde, mesmo assim, o bairro ainda era parado. Farmacia, não tinha;, mercado, também não;, água, nem pensar. A água que se consumia era vendida por galão, tirada de uns cacinbões existentes no lugar. No ano de 1950, havia a saída de gente para trabalhar no comércio da Ribeira ou mesmo no insipido comercio do Alecrim, que estava começando, muito lento. O bonde que fazia a linha do Alecrim até a rua São João, trafegava manhoso como os outros bondes de Natal. Não raro, algum rapazola untava os trilhos com sabão só para ver o bonde desencarrilhar. Então, aí não tinha mais bonde, pois a turma do socorro vinha fazer o serviço de colocar a maquina nos trilhos e isso demorava um tempo imenso. O que havia mesmo, era uma pensão de mulheres de vida fácil. Certo dia, um rapaz furou outro e foi preso. O que levou a furada, foi parar no Hospital "Miguel Couto", onde passou quinze dias para receber alta. As damas da noite continuaram com a sua vida fácil. À tarde, as damas corriam para tomar banho num chafariz perfurado no canto onde seria erguido o mercado público de Lagoa Seca,. Alí, as moças entre as mulheres de respeito, à tardinha, se enchiam de água, consumindo um sabonete Dorly. As senhoras, donas de casa, olhavam com desprezo a algazarra que as damas-da-noite costumavam fazer. Os homens, de 6 horas, já estavam de volta às suas casas para jogar conversa fora com os seus vizinhos. Um pouco depois, enveredavam casa a dentro para dormir. Na pensão, a festa continuava a noite toda. Vez por outra uma dama gritava mais alto e calava. Era a hora dela ir para o quarto com o seu amante. No outro dia, Lagoa Seca amanhecia sossegada. (depoimento de Francisco Miranda)

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